segunda-feira, 25 de junho de 2012

Turquia quer repatriar bens culturais

Governo reivindica a posse de antiguidades retiradas ilegalmente do país e contrabandeadas no início do século XX para museus americanos


   Depois do sucesso das autoridades italianas e gregas em recuperar artefatos arqueológicos retirados ilegalmente de seus lugares de origem, agora é a vez dos turcos. Acredita-se que dezenas de antiguidades do país foram escavadas e contrabandeadas no início do século XX e hoje estão espalhadas por vários museus americanos, como o Getty, de Los Angeles; o Metropolitan, de Nova York; e o Museu de Arte de Cleveland.

   Segundo o diretor de Patrimônio Histórico e Museus da Turquia, Murat Suslu, a ideia não é criar um conflito entre países, e sim iniciar um processo de cooperação. “Acredito que eles possam entender nosso ponto de vista”, afirma.

   Os pedidos de repatriação das peças foram acompanhados de provas da origem dos artefatos, e algumas das negociações começaram nos anos 1990. Em 1993 os turcos receberam de volta o chamado Tesouro da Lídia após uma batalha judicial de seis anos com o Museu Metropolitan.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Primeira Guerra ao vivo do front

Site com imagens e documentos escritos sobre o tema agora disponibiliza mais de 600 horas de filmagens feitas durante e após o conflito



   Em 2011, o projeto Europeana, arquivo digital multilíngue que reúne vasto material sobre o patrimônio cultural e científico produzido na Europa, começou a montar um grande acervo sobre a Primeira Guerra Mundial. Depois de disponibilizar fotos e registros escritos, o portal acaba de lançar um site no qual é possível acessar 650 horas de filmagens realizadas durante e depois do conflito.

   O European Film Gateway 1914 (http://project.efg1914.eu) é resultado de um projeto de dois anos, que digitalizou documentários, curtas-metragens e filmes de ficção resgatados de 40 cinematecas e arquivos de vários países. Os especialistas no tema acreditam que até agora 80% do material cinematográfico produzido foi perdido por problemas de conservação.

   O restante sobreviveu até agora em formato analógico, o que torna difícil o acesso aos filmes. Segundo Jill Cousins, diretor do Europeana, a digitalização ajuda a preservar o que se salvou e será uma fonte preciosa para historiadores, escolas, cineastas e pesquisadores, especialmente em 2014, ano do centenário do início da Primeira Guerra Mundial.
 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Notícias do inferno nazista

Descendente de judeus alemães cria site com cartões-postais trocados entre seus pais e avós durante a Segunda Guerra Mundial


   O escritor sueco Torkel S. Wächter está usando a internet para curar uma antiga ferida. Filho e neto de judeus alemães perseguidos durante a Segunda Guerra, ele passou 50 anos odiando a pátria de seus ancestrais até descobrir uma coleção de 32 cartões-postais trocados entre o pai, Walter, que fugiu para a Suécia na época do conflito, e os avós, Minna e Gustav, que permaneceram na Alemanha e acabaram deportados para a Letônia e assassinados. Agora Torkel está publicando essa comovente troca de correspondências no site www.32postkarten.com.

   Ele conta que herdou o sentimento antigermânico do pai, que nunca lhe contou a verdadeira história da família durante o conflito. O segredo só veio à tona após a morte de Walter Wächter, quando Torkel descobriu a coleção de 32 cartões-postais que dão nome e vida a seu projeto.

  Numa “simulação de tempo real”, os postais foram publicados no site nos mesmos dias em que foram escritos, há 70 anos. O último é de 6 de dezembro de 1941, quando Minna e Gustav foram deportados para a Letônia e assassinados.

   “Hoje entendo que o sentimento do meu pai em relação à Alemanha era mais complicado que ódio. Talvez seja mais bem descrito como um amor traído”, explica Torkel.
 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Entre a repressão e a psicodelia

Filme Uma longa viagem faz um retrato do autoritarismo político, do experimentalismo e do abuso de drogas que marcaram as décadas de 1960 e 1970



   Na década de 1960, a família de Heitor decidiu mandá-lo ao exterior para evitar que ele entrasse na luta armada contra a ditadura militar no Brasil. Durante nove anos ele deu a volta ao mundo duas vezes, e tudo parecia bem a julgar pelas cartas que mandava para a família, até que um dia ele apareceu internado em uma casa de saúde na Índia. Esse é o ponto de partida do outro lado dessa história, que sua irmã, a cineasta e ex-presa política Lúcia Murat, conta no documentário Uma longa viagem.

   No filme aparecem as duas versões da viagem de Heitor (interpretado por Caio Blat). A que podia ser escrita nas cartas para uma família de classe média da época e as entrevistas feitas com ele pela irmã, nas quais ele conta suas experiências na “swinging London” do final dos anos 1960, o mergulho nas drogas no Afeganistão e na Índia dos anos 1970 e a prisão na Holanda por tráfico de entorpecentes. Dessa forma, o documentário mostra as duas faces das conturbadas décadas de 1960 e 1970: de um lado, a repressão dos Anos de Chumbo no Brasil; de outro, os excessos da psicodelia na Europa e na Ásia.
UMA LONGA VIAGEM (Brasil, 2012). Direção: Lúcia Murat. Distribuição: Vitrine Filmes. Estreia prevista para 11 de maio.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A arte da resistência chilena

Exposição que passa por três cidades brasileiras reúne obras produzidas por presos políticos do regime de Pinochet


   Durante a ditadura, mulheres chilenas utilizaram uma espécie de tapete fabricado artesanalmente com retalhos de tecido, costurados sobre uma base de linho ou saco de farinha, para passar recados e denunciar os acontecimentos que marcaram o regime autoritário que governou o país entre 1973 e 1990. Uma coleção dessas peças, chamadas de arpilleras, foi reunida pela filósofa Roberta Bacic e forma a exposição “Arpilleras da resistência política chilena”, que passará por Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

   A mostra conta com 30 peças produzidas por mulheres presas ou cujos familiares foram encarcerados, torturados e assassinados durante a ditadura. Além do valor artístico, os trabalhos vendidos serviam para ajudar no orçamento doméstico das artesãs, que frequentemente se reuniam em comunidades ou entidades da sociedade civil. Segundo Clara Politi, produtora da exposição, as imagens representadas nas peças eram uma maneira de mostrar o que acontecia no país para a população local e os estrangeiros.

ARPILLER AS DA RESISTÊNCIA POLÍTICA CHILENA.  QUANDO E ONDE: de 7 a 14 de maio no Memorial de Curitiba; de 18 a 24 de maio no Centro Cultural UFMG, em Belo Horizonte; de 29 de maio a 5 de junho no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Imagens do deserto

Filme O príncipe do deserto, em cartaz nos cinemas brasileiros, retrata disputas por petróleo no mundo árabe do início do século XX


   Disputa por petróleo, costumes tradicionais do mundo árabe, paisagens do deserto no início do século XX: esses são os ingredientes principais de O príncipe do deserto, filme dirigido por Jean-Jacques Annaud – o mesmo de Círculo de fogo, O nome da rosa e Sete anos no Tibet –, atualmente em cartaz.

   Nos anos 1930, depois de uma luta de dois líderes guerreiros nos Emirados Árabes, a vitória do emir de Hobeika, Nesib (vivido por Antonio Banderas), lhe dá o direito de ditar os termos de paz para Ammar, sultão de Salmaah (interpretado por Mark Strong). O acordo entre os dois é deixar intocado o território batizado de Faixa Amarela. Em troca Nesib adota os filhos de Ammar, segundo os costumes tribais do local.

   Anos depois, um dos jovens quer conhecer a terra de seu pai ao mesmo tempo em que o homem que o criou descobre, por intermédio de um americano, a existência de petróleo na Faixa Amarela. Por ganância, Nesib arranja o casamento de sua filha com um dos filhos adotivos e tenta reconquistar o território do inimigo. O conflito rende batalhas espetaculares e uma história de amor entre o príncipe guerreiro que luta pela paz e sua irmã adotiva, Leyla (vivida por Freida Pinto).

terça-feira, 17 de abril de 2012

Hitler na Patagônia?

Livro reascende uma “lenda” antiga, segundo a qual o líder nazista teria sobrevivido ao fim da guerra e fugido com Eva Braun para a Argentina


   Adolf Hitler é uma figura inconfundível, mas, ao que parece, ele passou anos despercebido na Argentina, onde teria se refugiado depois da Segunda Guerra Mundial. Pelo menos é isso que afirmam os jornalistas ingleses Simon Dunstan e Gerrard Williams, autores do livro Grey wolf – The escape of Adolf Hitler (Lobo cinza – A fuga de Adolf Hitler), lançado no fim do ano passado e ainda inédito no Brasil. A história não é novidade, mas o lançamento reacendeu a polêmica levantada, em 2006, pelo escritor argentino Abel Basti em seu livro Hitler em Argentina (inédito no Brasil).

    Independentemente da guerra judicial que Basti agora trava contra Dunstan e Williams, acusando-os de plágio, fato é que a “lenda” a respeito da morte do ditador nazista existe. Segundo ela, Hitler não teria cometido suicídio em um bunker na Alemanha, mas sim fugido para a Espanha e, depois, para a Argentina, com sua companheira, Eva Braun, em 1945. Durante 20 anos, o casal teria vivido numa mansão nas montanhas da cidade de Villa La Angostura, na Patagônia. Havia uma forte presença alemã na Argentina e até um partido nazista local. “A grande comunidade de proprietários de terra alemães no país deu a Hitler e seus seguidores o esconderijo perfeito”, diz Williams.

    Já em 1945, questionava-se o suicídio do Führer. Inglaterra e Suécia, por exemplo, davam mais crédito à versão de que a saúde de Hitler estava tão abalada que ele nem teria participado da defesa de Berlim. Sua morte teria sido causada por uma hemorragia ou comoção cerebral. Mas, segundo Williams, existem testemunhas, reportagens e documentos do FBI que atestam a presença de Hitler na Argentina. “Uma das peças-chave são os relatórios do julgamento do piloto que o tirou de Berlim, detalhados em matérias da Reuters e da Associated Press de Varsóvia em 1947. Até hoje, essas evidências haviam sido ignoradas pelos historiadores”, afirma o jornalista.

    Ainda assim, a fuga – ou morte – do ditador segue cercada de mistério. Em 2009, análises de DNA realizadas nos laboratórios da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, mostraram que o suposto crânio de Hitler encontrado no bunker e guardado pelos russos era, na verdade, de uma mulher com menos de 40 anos. “A real história do fim da Segunda Guerra e de como os membros da inteligência americana ajudaram os nazistas depois está apenas começando a aparecer”, sentencia o autor inglês.