segunda-feira, 14 de novembro de 2011

De Pelé a Dilma, todos fichados

Lote documental descoberto nos arquivos do Dops de Santos revela personalidades que foram perseguidas pelo órgão do governo militar


   O que Dilma Rousseff, Pelé, Frei Betto, Mário Covas, o bispo diocesano de Santos e Che Guevara têm em comum? Todos foram fichados pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de Santos durante a ditadura. Essas informações fazem parte de um lote de documentos pertencentes ao órgão, descobertos no ano passado na cidade do litoral paulista e agora abertos à consulta pública.

    No início de 2010, 45 mil fichas e 11.666 prontuários do Dops foram encontrados por acaso em um prédio da polícia de Santos. O material, provavelmente esquecido por mais de 25 anos, foi entregue ao Arquivo Público do Estado de São Paulo, que desde 1994 tem a custódia dos fundos do Dops/Deops. Os documentos, inéditos, foram higienizados e catalogados e agora estão disponíveis para pesquisa.

    Além de abrir essa parte do acervo encontrada em Santos, o Arquivo do Estado também anunciou que vai digitalizar 7 mil prontuários e 170 mil fichas remissivas de seu fundo Deops. Os originais serão conservados, e seu conteúdo será oferecido, pela primeira vez, na internet.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Líbano em chamas

Filme Incêndios, do diretor Denis Villeneuve, retrata saga de uma família em meio à guerra que assolou o país entre 1975 e 1990


   O diretor Denis Villeneuve não precisou dar nome aos bois. Em seu filme Incêndios, que chega às locadoras em DVD, ele conta a história de um casal de gêmeos que, após a morte da mãe, sai em busca do pai e de um irmão desconhecido. Para isso, partem ao país de origem da mãe e precisam descobrir o que ocorreu em sua juventude. O nome do lugar não é revelado, e a trama também não desvenda detalhes sobre o conflito político e religioso que mudou o destino da jovem mãe, Nawal Marwan, levando-a ao exílio no Canadá, onde os irmãos vivem.

    Essa falta de indicações é proposital. O filme foi rodado na Jordânia, mas o conflito a que se refere é a Guerra do Líbano (1975-1990), mesmo sem mencioná-la. Mas não é preciso dar nomes para reconhecer a guerra civil, identificar a cidade (Beirute) e a região das montanhas de Chouf, a prisão (Khiam), assim como os conflitos entre as falanges libanesas, cristãos, israelenses, sírios, drusos e xiitas. A estratégia é mostrar como essa barbárie, inscrita em um território imaginário, tem muito a dizer sobre o conflito político-religioso que continua vivo na região.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O centenário de Mazzaropi

Documentário em fase de produção vai homenagear o centenário do ícone da cultura caipira no cinema brasileiro


   Referência da cultura caipira no cinema brasileiro, o ator Amácio Mazzaropi será homenageado com um documentário, com lançamento previsto para 2012, ano de seu centenário.
 
   O longa-metragem intitulado Mazza.doc, produzido pela Felistoque Filmes, reunirá depoimentos de personalidades do cinema e da televisão brasileira e expoentes da cultura caipira. Um dos entrevistados é a apresentadora Hebe Camargo, que, segundo Celso Sabadin, roteirista e diretor do filme, conta que Mazzaropi era apaixonado por ela, mas nunca conseguiu namorá-la. O ator Ewerton de Castro, que também participa do documentário, começou a atuar com Mazzaropi e rapidamente acabou escalado como figurinista, continuísta e até roteirista dos filmes dele.

    Além de mostrar a trajetória do artista e empresário, a ideia do documentário é investigar os motivos que fizeram do ator um dos nomes de maior sucesso comercial da história do cinema brasileiro, segundo Sabadin. Para falar sobre o tema, o professor Cláudio Marques, do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o cineasta Jeremias Moreira, estudioso da cultura caipira e o compositor Renato Teixeira também participam do documentário.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Rio terá centro de arqueologia

Antigo palacete no centro da cidade reunirá milhares de vestígios encontrados em todo o estado fluminense


   O palacete no centro do Rio de Janeiro que abrigaria a Casa do Samba será transformado em um centro de arqueologia. O espaço reunirá milhares de vestígios encontrados em escavações em todo o estado fluminense, e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) pretende inaugurá-lo no ano que vem.

    Por enquanto o acervo arqueológico está guardado na sede do Iphan, no Rio, mas o plano é transportar as 15 mil peças para o palacete, na praça da República, 22, assim que for concluída a reforma. No momento não há mais espaço disponível para guardar coleções arqueológicas em instituições de pesquisa.

    O local contará com laboratórios, espaço para exposições e debates, além de funcionar como um centro de educação patrimonial. Segundo o superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Carlos Fernando Andrade, o gasto previsto é de R$ 9 milhões, entre a realização da obra e a montagem do centro.

    O estado do Rio de Janeiro tem 962 sítios arqueológicos registrados e 140 projetos em andamento. O mais antigo é o Sambaqui de Camboinhas, com mais de 7 mil anos, na paria de Itaipu, em Niterói. Nas obras do Complexo Petroquímico do Rio, em Itaboraí, foram localizados 41 sítios

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A Itália no Brasil

Começa este mês o Momento Itália-Brasil, série de eventos em homenagem à história compartilhada pelos dois países e aos 30 milhões de brasileiros descendentes de italianos







   Primeiro foi a vez da França. Agora, pelos próximos nove meses, a Itália será o país homenageado em uma série de atrações no Brasil. De outubro de 2011 a julho de 2012, as relações entre os dois países serão abordadas em uma extensa programação reunida sob o nome Momento Itália-Brasil.

    A abertura oficial será no dia 15 de outubro, com um espetáculo de dança ao ar livre nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro. O tema será uma reflexão sobre a história do Brasil e da Itália. No dia seguinte, São Paulo faz sua abertura do ano da Itália com um concerto da Osesp, na Sala São Paulo. Serão executadas obras de compositores italianos, na primeira parte, e de Villa-Lobos, na segunda.

   No total, serão 486 eventos em 18 estados brasileiros. O Brasil entra, dessa forma, no conjunto de celebrações dos 150 anos da unificação italiana e dos 65 anos da proclamação da República no país. Por aqui, comemora-se também o centenário de duas instituições paulistanas voltadas para a divulgação da cultura italiana no Brasil: o Circolo Italiano e o Colégio Dante Alighieri.

   Antecipando as comemorações, o Museu do Café, em Santos, inaugurou no final de agosto a mostra “Itália-café-Brasil: Qui si beve caffè”. A exposição, que fica em cartaz até 29 de janeiro de 2012, aborda a relação entre os dois países por meio do café, com destaque para o fato de que, entre 1875 e 1901, mais de um milhão e meio de italianos desembarcaram em terras brasileiras para trabalhar, principalmente, nos cafezais.

   A grande onda de imigração e os mais de 30 milhões de descendentes de italianos no Brasil serão tema de vários eventos. Em fevereiro, São Paulo abriga a mostra “A viagem – De Gênova para Santos”, e, em abril do ano que vem, a exposição de fotos “Orgulho de ser oriundi”. No Rio de Janeiro, o Arquivo Nacional realiza a mostra e o seminário “Viagem dos italianos ao Brasil”, de 19 de outubro a 26 de fevereiro.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Submarino nazista é achado em SC

Pesquisador encontra o submarino alemão U-513, o “Lobo Solitário”, naufragado em 1943 no litoral sul do Brasil


   Durante uma regata entre Vila Velha, no Espírito Santo, e a ilha da Trindade, na costa brasileira, a bordo do veleiro Aysso, Vilfredo Schürmann ouviu falar do naufrágio de um submarino alemão no litoral de Santa Catarina. O capitão não sossegou enquanto não encontrou a embarcação no fundo do mar. Foram 18 mergulhos até identificar os restos do submarino alemão U-513, naufragado em 19 de julho de 1943.

    O Lobo Solitário, como era conhecida a embarcação, era comandada por Friedrich Fritz Guggenberger, oficial condecorado com a Cruz de Ferro pelo próprio Adolf Hitler, por ter afundado um porta-aviões inglês, o Ark Royal.

    A busca do U-513 foi realizada com o apoio do governo de Santa Catarina, e o local do naufrágio foi encontrado graças às anotações contidas no diário de bordo do navio americano Barnegad, que resgatou sete sobreviventes de um total de 53 tripulantes, conta Schürmann. O diário registrava também as coordenadas de um ponto próximo ao local onde o equipamento nazista afundou, fornecidas por um instrumento do hidroavião americano que abateu o submarino. “Com essas coordenadas o localizamos”, explica o capitão. O próximo passo de Schürmann é transformar a história em documentário.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A Índia dos homens e dos deuses

Exposição “Caminho das Índias”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, reúne obras de arte antigas do país



   Uma viagem por um país de mais de 1 bilhão de habitantes, 200 etnias, seis religiões e 20 línguas oficiais é algo para ser feito em etapas. Por isso, a exposição “Caminho das Índias”, aberta este mês no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, foi dividida em quatro seções: homem, reis, deuses e contemporaneidade. Depois do Rio, a mostra segue para Brasília e São Paulo.

   A exposição reúne obras de arte antigas vindas do próprio país e de museus e coleções particulares da Europa, fotografias históricas, roupas, joias, objetos de uso cotidiano e vídeos, entre outros recursos. Tudo isso para ilustrar momentos-chave da história da Índia, como a época clássica dos reinos independentes do subcontinente, os períodos de colonização inglesa e portuguesa, o desenvolvimento das cidades entre 1860 e 1920 e o movimento que levou à independência, em 1949. A parte contemporânea da exposição convida os visitantes a conhecer um pouco da indústria de tecnologia de ponta indiana e oferece ao público a experiência de participar de um filme de Bollywood.